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Perfil clínico e sociodemográfico de gestantes adolescentes na Baixada Fluminense: implicações para estratégias contraceptivas e redução da maternidade precoce

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Introdução: A gravidez na adolescência é um fenômeno complexo, influenciado por múltiplos fatores socioeconômicos, culturais e educacionais, e está associada a complicações como pré-eclâmpsia, parto prematuro e baixo peso ao nascer. Objetivo: Compreender os fatores de risco e os desfechos da gravidez na adolescência, crucial para o desenvolvimento de estratégias preventivas. Métodos: Foi realizado um estudo transversal em uma maternidade pública da Baixada Fluminense (estado do Rio de Janeiro) entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025, com 130 adolescentes de até 19 anos. Os dados foram coletados por meio de entrevistas estruturadas, abordando aspectos gestacionais, conhecimento sobre métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARCs, long-acting reversible contraceptives) e intenção de adesão contraceptiva. A análise estatística utilizou o teste do qui-quadrado e a correlação de Pearson. Resultados: Verificou-se uma concentração mais elevada de gestações na adolescência na idade de 18 anos, seguida por 19 e 17 anos (χ2=63,69; p<0,001). Essa concentração sugere que a maternidade entre adolescentes tende a ocorrer predominantemente nos anos finais da adolescência. A alta taxa de evasão escolar e o baixo nível educacional observados entre as puérperas entrevistadas estão diretamente relacionados à interrupção dos estudos durante a gestação na adolescência, com 54% delas apresentando ensino médio incompleto, 22% fundamental incompleto, e apenas 11% ensino médio completo. Tal fato perpetua o ciclo de vulnerabilidade socioeconômica e limita as perspectivas futuras dessas jovens mães. Observou-se também um ciclo geracional de maternidade precoce, no qual 65% das mães das puérperas entrevistadas também foram mães adolescentes, sendo 50% delas mães de mais de três filhos, indicando um padrão de multiparidade. Esses números refletem a naturalização da gravidez na adolescência no ambiente familiar dessas jovens, onde a experiência das mães serve de exemplo e se torna um elemento cultural e socialmente aceito. A menarca das entrevistadas ocorreu antes dos 13 anos (61,2%), enquanto a primeira relação sexual foi predominante entre os 14 e 15 anos (53,0%), indicando um intervalo médio de 1 a 3 anos entre esses eventos. Em relação ao uso de métodos contraceptivos, embora a maioria das adolescentes relatasse conhecimento sobre o tema, uma parcela significativa (68,4%) escolheu sua contracepção de forma autônoma e sem orientação médica, o que compromete a eficácia. Os métodos contraceptivos mais citados entre as mais jovens (14 e 15 anos) foram os anticoncepcionais orais e os métodos de barreira. Já entre 18 e 19 anos, notou-se um aumento no uso de métodos injetáveis, que, por serem de longo prazo não exigem a mesma responsabilidade diária do anticoncepcional oral. Conclusão: Os LARCs, apesar de sua eficácia, mostraram-se pouco populares entre as adolescentes entrevistadas. A ampliação do acesso aos LARCS, no momento de alta da maternidade e nas Unidades Básicas de Saúde é estratégia essencial para quebrar o ciclo de gravidez precoce e suas consequências.
Title: Perfil clínico e sociodemográfico de gestantes adolescentes na Baixada Fluminense: implicações para estratégias contraceptivas e redução da maternidade precoce
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Introdução: A gravidez na adolescência é um fenômeno complexo, influenciado por múltiplos fatores socioeconômicos, culturais e educacionais, e está associada a complicações como pré-eclâmpsia, parto prematuro e baixo peso ao nascer.
Objetivo: Compreender os fatores de risco e os desfechos da gravidez na adolescência, crucial para o desenvolvimento de estratégias preventivas.
Métodos: Foi realizado um estudo transversal em uma maternidade pública da Baixada Fluminense (estado do Rio de Janeiro) entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025, com 130 adolescentes de até 19 anos.
Os dados foram coletados por meio de entrevistas estruturadas, abordando aspectos gestacionais, conhecimento sobre métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARCs, long-acting reversible contraceptives) e intenção de adesão contraceptiva.
A análise estatística utilizou o teste do qui-quadrado e a correlação de Pearson.
Resultados: Verificou-se uma concentração mais elevada de gestações na adolescência na idade de 18 anos, seguida por 19 e 17 anos (χ2=63,69; p<0,001).
Essa concentração sugere que a maternidade entre adolescentes tende a ocorrer predominantemente nos anos finais da adolescência.
A alta taxa de evasão escolar e o baixo nível educacional observados entre as puérperas entrevistadas estão diretamente relacionados à interrupção dos estudos durante a gestação na adolescência, com 54% delas apresentando ensino médio incompleto, 22% fundamental incompleto, e apenas 11% ensino médio completo.
Tal fato perpetua o ciclo de vulnerabilidade socioeconômica e limita as perspectivas futuras dessas jovens mães.
Observou-se também um ciclo geracional de maternidade precoce, no qual 65% das mães das puérperas entrevistadas também foram mães adolescentes, sendo 50% delas mães de mais de três filhos, indicando um padrão de multiparidade.
Esses números refletem a naturalização da gravidez na adolescência no ambiente familiar dessas jovens, onde a experiência das mães serve de exemplo e se torna um elemento cultural e socialmente aceito.
A menarca das entrevistadas ocorreu antes dos 13 anos (61,2%), enquanto a primeira relação sexual foi predominante entre os 14 e 15 anos (53,0%), indicando um intervalo médio de 1 a 3 anos entre esses eventos.
Em relação ao uso de métodos contraceptivos, embora a maioria das adolescentes relatasse conhecimento sobre o tema, uma parcela significativa (68,4%) escolheu sua contracepção de forma autônoma e sem orientação médica, o que compromete a eficácia.
Os métodos contraceptivos mais citados entre as mais jovens (14 e 15 anos) foram os anticoncepcionais orais e os métodos de barreira.
Já entre 18 e 19 anos, notou-se um aumento no uso de métodos injetáveis, que, por serem de longo prazo não exigem a mesma responsabilidade diária do anticoncepcional oral.
Conclusão: Os LARCs, apesar de sua eficácia, mostraram-se pouco populares entre as adolescentes entrevistadas.
A ampliação do acesso aos LARCS, no momento de alta da maternidade e nas Unidades Básicas de Saúde é estratégia essencial para quebrar o ciclo de gravidez precoce e suas consequências.

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