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Colestase intra-hepática da gravidez: relato de caso
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Introdução: A colestase intra-hepática da gravidez (CIHG) é reversível e seu principal sintoma é o prurido leve ou intenso, acompanhado pelo aumento da concentração de ácidos biliares séricos e/ou enzimas hepáticas. Para o diagnóstico é necessário excluir outras doenças hepatobiliares ou sistêmicas que cursam com as mesmas alterações, no entanto alguns autores consideram a elevação dos níveis dos ácidos biliares o padrão-ouro para o diagnóstico. Está associada a vários desfechos adversos gestacionais, que são diretamente proporcionais à elevação dos ácidos biliares, podendo levar à morte súbita fetal mesmo após monitoramento fetal normal. Relato de caso: Paciente do sexo feminino, 24 anos, 130 kg, parda, do lar, obesidade grau III, hipertensão crônica sem tratamento prévio, internada com 26 semanas e cinco dias de idade gestacional (IG), assintomática, em uso de metildopa 1,5 g/dia e ácido acetilsalicílico 100 mg/dia há 19 semanas para a investigação do aumento de enzimas hepáticas (transaminase oxalacética — TGO 85 U/L e transaminase pirúvica — TGP 114 U/L), revelado com IG de 24 semanas e seis dias. De início foi realizada ultrassonografia de abdome superior e exames laboratoriais com função hepática e sorologias para hepatites, sem alterações. Foi feita a troca da metildopa para nifedipino 60 mg/dia diante da possibilidade de hepatite medicamentosa, porém as transaminases continuaram em ascensão. Com IG de 28 semanas e um dia, TGO de 683 U/L e TGP de 1.130 U/L, aventou-se hipótese diagnóstica de CIHG, mesmo sendo a paciente assintomática. O caso foi discutido com equipe de hepatologia e iniciou-se o tratamento com ácido ursodeoxicólico 900 mg/dia com IG de 28 semanas e um dia. O diagnóstico foi realizado com dosagem de ácidos biliares de 16 mmol/L com IG de 29 semanas. A paciente foi submetida a parto cesáreo com 32 semanas em razão da confirmação diagnóstica de CIHG e da manutenção dos níveis de transaminases em dez vezes o valor de referência mesmo com tratamento. Após o parto, realizou-se a troca da dosagem do ácido ursodeoxicólico para 450 mg/dia, e observou-se queda mantida dos níveis de transaminases. Por fim, houve retorno aos valores de referência 16 dias pós-parto, e assim finalizou-se o uso da medicação. Conclusão: Segundo a literatura atual, o quadro de CIHG inicia-se com prurido, principalmente noturno, que acomete palma das mãos e planta dos pés, piora progressivamente, evoluindo com icterícia, e que normalmente ocorre no terceiro trimestre. Poucos casos são relatados na literatura em que há alteração laboratorial clássica, com ausência de sintomas; He et al. citam um aumento consideravelmente maior de desfecho adverso em casos de elevação de ácidos biliares em pacientes assintomáticas, de 28%, em relação a pacientes hígidas; quando sintomática, porém, a CIHG atingiu aproximadamente 52% de chance de desfecho adverso fetal. O grande desafio está no diagnóstico, manejo e definição do momento ideal para a interrupção, pois assim como a dosagem de ácidos biliares, a sintomatologia é um importante fator prognóstico e definidor de conduta (Wood, 2018).
Zeppelini Editorial e Comunicação
Title: Colestase intra-hepática da gravidez: relato de caso
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Introdução: A colestase intra-hepática da gravidez (CIHG) é reversível e seu principal sintoma é o prurido leve ou intenso, acompanhado pelo aumento da concentração de ácidos biliares séricos e/ou enzimas hepáticas.
Para o diagnóstico é necessário excluir outras doenças hepatobiliares ou sistêmicas que cursam com as mesmas alterações, no entanto alguns autores consideram a elevação dos níveis dos ácidos biliares o padrão-ouro para o diagnóstico.
Está associada a vários desfechos adversos gestacionais, que são diretamente proporcionais à elevação dos ácidos biliares, podendo levar à morte súbita fetal mesmo após monitoramento fetal normal.
Relato de caso: Paciente do sexo feminino, 24 anos, 130 kg, parda, do lar, obesidade grau III, hipertensão crônica sem tratamento prévio, internada com 26 semanas e cinco dias de idade gestacional (IG), assintomática, em uso de metildopa 1,5 g/dia e ácido acetilsalicílico 100 mg/dia há 19 semanas para a investigação do aumento de enzimas hepáticas (transaminase oxalacética — TGO 85 U/L e transaminase pirúvica — TGP 114 U/L), revelado com IG de 24 semanas e seis dias.
De início foi realizada ultrassonografia de abdome superior e exames laboratoriais com função hepática e sorologias para hepatites, sem alterações.
Foi feita a troca da metildopa para nifedipino 60 mg/dia diante da possibilidade de hepatite medicamentosa, porém as transaminases continuaram em ascensão.
Com IG de 28 semanas e um dia, TGO de 683 U/L e TGP de 1.
130 U/L, aventou-se hipótese diagnóstica de CIHG, mesmo sendo a paciente assintomática.
O caso foi discutido com equipe de hepatologia e iniciou-se o tratamento com ácido ursodeoxicólico 900 mg/dia com IG de 28 semanas e um dia.
O diagnóstico foi realizado com dosagem de ácidos biliares de 16 mmol/L com IG de 29 semanas.
A paciente foi submetida a parto cesáreo com 32 semanas em razão da confirmação diagnóstica de CIHG e da manutenção dos níveis de transaminases em dez vezes o valor de referência mesmo com tratamento.
Após o parto, realizou-se a troca da dosagem do ácido ursodeoxicólico para 450 mg/dia, e observou-se queda mantida dos níveis de transaminases.
Por fim, houve retorno aos valores de referência 16 dias pós-parto, e assim finalizou-se o uso da medicação.
Conclusão: Segundo a literatura atual, o quadro de CIHG inicia-se com prurido, principalmente noturno, que acomete palma das mãos e planta dos pés, piora progressivamente, evoluindo com icterícia, e que normalmente ocorre no terceiro trimestre.
Poucos casos são relatados na literatura em que há alteração laboratorial clássica, com ausência de sintomas; He et al.
citam um aumento consideravelmente maior de desfecho adverso em casos de elevação de ácidos biliares em pacientes assintomáticas, de 28%, em relação a pacientes hígidas; quando sintomática, porém, a CIHG atingiu aproximadamente 52% de chance de desfecho adverso fetal.
O grande desafio está no diagnóstico, manejo e definição do momento ideal para a interrupção, pois assim como a dosagem de ácidos biliares, a sintomatologia é um importante fator prognóstico e definidor de conduta (Wood, 2018).
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