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Retenção Urinária Crônica no Idoso Masculino

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O envelhecimento populacional acelerado no Brasil tem reformulado as demandas epidemiológicas de toda a rede de saúde pública e suplementar, destacando as afecções do trato urinário inferior como condições de elevada prevalência na população masculina geriátrica. Dentre essas alterações, a retenção urinária crônica (RUC) — caracterizada pela incapacidade progressiva e não dolorosa de esvaziamento vesical completo, resultando em volumes residuais pós-miccionais elevados — consolida-se como uma síndrome geriátrica de grande relevância clínica. Frequentemente interpretada de maneira negligente como um processo natural e benigno do envelhecimento biológico ou mascarada por sintomas de esvaziamento leves, seu impacto fisiopatológico crônico está intimamente associado ao comprometimento da autonomia funcional, desestabilização de comorbidades sistêmicas de base e severa redução da qualidade de vida global do idoso. Diante da necessidade premente de consolidar as evidências científicas nacionais sobre os fatores multicausais desse distúrbio no homem idoso, bem como suas respectivas repercussões clínicas e funcionais no cenário assistencial do país, este estudo tem como objetivo analisar e sintetizar o impacto clínico, funcional e prognóstico da retenção urinária crônica na população masculina idosa assistida no Brasil. Para cumprir esse propósito, realizou-se uma revisão sistemática da literatura científica de acordo com o modelo PRISMA, com buscas estruturadas nas bases de dados eletrônicas SciELO, LILACS e PubMed por artigos de autoria brasileira publicados na última década (2016-2026). Os resultados revelam que a etiologia da RUC no idoso masculino é predominantemente multifatorial, envolvendo a obstrução infravesical por hiperplasia prostática benigna, a hipoatividade do músculo detrusor associada ao envelhecimento neuromuscular, além do expressivo impacto iatrogênico provocado pela polifarmácia e uso de medicamentos com forte efeito anticolinérgico. Clinicamente, a RUC associa-se ao desenvolvimento de complicações graves como infecções urinárias de repetição, nefropatia obstrutiva bilateral com perda de função renal, formação de cálculos vesicais, hematúria e incontinência urinária por transbordamento. No âmbito funcional, a presença da RUC atua como um potente fator desestruturador, correlacionando-se com distúrbios graves do sono decorrentes da noctúria frequente, aumento substancial do risco de quedas noturnas, episódios de agitação psíquica em idosos demenciados e isolamento social decorrente do constrangimento urinário. Conclui-se que o rastreamento rotineiro do volume residual pós-miccional na atenção primária por meio de métodos não invasivos é indispensável para subsidiar intervenções multidisciplinares preventivas e terapêuticas eficazes no território nacional.
Title: Retenção Urinária Crônica no Idoso Masculino
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O envelhecimento populacional acelerado no Brasil tem reformulado as demandas epidemiológicas de toda a rede de saúde pública e suplementar, destacando as afecções do trato urinário inferior como condições de elevada prevalência na população masculina geriátrica.
Dentre essas alterações, a retenção urinária crônica (RUC) — caracterizada pela incapacidade progressiva e não dolorosa de esvaziamento vesical completo, resultando em volumes residuais pós-miccionais elevados — consolida-se como uma síndrome geriátrica de grande relevância clínica.
Frequentemente interpretada de maneira negligente como um processo natural e benigno do envelhecimento biológico ou mascarada por sintomas de esvaziamento leves, seu impacto fisiopatológico crônico está intimamente associado ao comprometimento da autonomia funcional, desestabilização de comorbidades sistêmicas de base e severa redução da qualidade de vida global do idoso.
Diante da necessidade premente de consolidar as evidências científicas nacionais sobre os fatores multicausais desse distúrbio no homem idoso, bem como suas respectivas repercussões clínicas e funcionais no cenário assistencial do país, este estudo tem como objetivo analisar e sintetizar o impacto clínico, funcional e prognóstico da retenção urinária crônica na população masculina idosa assistida no Brasil.
Para cumprir esse propósito, realizou-se uma revisão sistemática da literatura científica de acordo com o modelo PRISMA, com buscas estruturadas nas bases de dados eletrônicas SciELO, LILACS e PubMed por artigos de autoria brasileira publicados na última década (2016-2026).
Os resultados revelam que a etiologia da RUC no idoso masculino é predominantemente multifatorial, envolvendo a obstrução infravesical por hiperplasia prostática benigna, a hipoatividade do músculo detrusor associada ao envelhecimento neuromuscular, além do expressivo impacto iatrogênico provocado pela polifarmácia e uso de medicamentos com forte efeito anticolinérgico.
Clinicamente, a RUC associa-se ao desenvolvimento de complicações graves como infecções urinárias de repetição, nefropatia obstrutiva bilateral com perda de função renal, formação de cálculos vesicais, hematúria e incontinência urinária por transbordamento.
No âmbito funcional, a presença da RUC atua como um potente fator desestruturador, correlacionando-se com distúrbios graves do sono decorrentes da noctúria frequente, aumento substancial do risco de quedas noturnas, episódios de agitação psíquica em idosos demenciados e isolamento social decorrente do constrangimento urinário.
Conclui-se que o rastreamento rotineiro do volume residual pós-miccional na atenção primária por meio de métodos não invasivos é indispensável para subsidiar intervenções multidisciplinares preventivas e terapêuticas eficazes no território nacional.

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