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Cestos e cestarias

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Localizada no semiárido piauiense, a comunidade Lagoa de Fora (Ribeiro, 2023; Paes, 2022; Negreiros, 2024; Leal, et, al, 2023; Linke et al, 2024), pertencente ao município de São Raimundo Nonato, no Piauí, é constituída de inúmeras maneiras de lidar com a terra e os recursos que a mesma produz, exemplo disso é o uso das fibras vegetais do cipó, planta presente no bioma caatinga e em outras regiões do brasil. As fibras, desde tempos históricos, são utilizadas na comunidade para confecção de cestos e diversos outros utensílios, esses possuindo as mais variadas formas, tamanhos e empregabilidade, dependendo da necessidade. Os aiós, são produtos fabricados a partir das fibras do cipó, que são cestos maiores, cujo emprego é a facilitação e transportes das raízes de mandioca das roças para as casas de farinha, carregados em animais, como os jumentos, são um dos belos exemplos dessa fabricação cestual, que proporcionada por essa memória segue ainda presente na comunidade, mesmo que de forma não tão latente e assídua. Nesse sentido, as fibras são empregadas há dezenas de anos na produção artesanal comunitária em Lagoa de Fora. Com o passar dos anos, as novas gerações foram historicamente perdendo o contato com essa produção, tendo como motivos a escassez da fibra na região, devido a falta de recursos hídricos, e própria ausência da necessidade do uso e confecção desses utensílios na atualidade, que há muito tempo se configurou como imprescindível nas dinâmicas da comunidade, sobretudo quando se trata das casas de farinha, espaços esses que demandavam muitas articulações com utensílios de armazenamento de derivados da mandioca, como a farinha, a tapioca. Pensando nisso, a equipe organizadora do evento: I Feira de Cultura de Lagoa de Fora, promoveu, no dia 19 de fevereiro, uma oficina de produção e confecção de cestarias em diferentes formas e estilos. Na ocasião foram convidados dois artesãos da comunidade que desde jovens confeccionam essas materialidades, o senhor Luiz Gonzaga e o senhor Sidney de Negreiros, dessa forma o intuito e propósito da oficina foi a promoção dos conhecimentos e técnicas a respeito desse saber fazer. Dito, isso, o público pôde, durante o período da oficina, participar ativamente em um diálogo direto com os artesãos, sendo por eles orientados no que compete a distribuição e existências de técnicas, e assim, puderam confeccionar, de forma experimental os cestos e cestinhos de cipó, e manusear as fibras vegetais do cipó. Esse momento de partilha de conhecimento foi de primordial relevância para manutenção dos saberes locais, das memórias acerca desse saber fazer artesanal na comunidade.
Title: Cestos e cestarias
Description:
Localizada no semiárido piauiense, a comunidade Lagoa de Fora (Ribeiro, 2023; Paes, 2022; Negreiros, 2024; Leal, et, al, 2023; Linke et al, 2024), pertencente ao município de São Raimundo Nonato, no Piauí, é constituída de inúmeras maneiras de lidar com a terra e os recursos que a mesma produz, exemplo disso é o uso das fibras vegetais do cipó, planta presente no bioma caatinga e em outras regiões do brasil.
As fibras, desde tempos históricos, são utilizadas na comunidade para confecção de cestos e diversos outros utensílios, esses possuindo as mais variadas formas, tamanhos e empregabilidade, dependendo da necessidade.
Os aiós, são produtos fabricados a partir das fibras do cipó, que são cestos maiores, cujo emprego é a facilitação e transportes das raízes de mandioca das roças para as casas de farinha, carregados em animais, como os jumentos, são um dos belos exemplos dessa fabricação cestual, que proporcionada por essa memória segue ainda presente na comunidade, mesmo que de forma não tão latente e assídua.
Nesse sentido, as fibras são empregadas há dezenas de anos na produção artesanal comunitária em Lagoa de Fora.
Com o passar dos anos, as novas gerações foram historicamente perdendo o contato com essa produção, tendo como motivos a escassez da fibra na região, devido a falta de recursos hídricos, e própria ausência da necessidade do uso e confecção desses utensílios na atualidade, que há muito tempo se configurou como imprescindível nas dinâmicas da comunidade, sobretudo quando se trata das casas de farinha, espaços esses que demandavam muitas articulações com utensílios de armazenamento de derivados da mandioca, como a farinha, a tapioca.
Pensando nisso, a equipe organizadora do evento: I Feira de Cultura de Lagoa de Fora, promoveu, no dia 19 de fevereiro, uma oficina de produção e confecção de cestarias em diferentes formas e estilos.
Na ocasião foram convidados dois artesãos da comunidade que desde jovens confeccionam essas materialidades, o senhor Luiz Gonzaga e o senhor Sidney de Negreiros, dessa forma o intuito e propósito da oficina foi a promoção dos conhecimentos e técnicas a respeito desse saber fazer.
Dito, isso, o público pôde, durante o período da oficina, participar ativamente em um diálogo direto com os artesãos, sendo por eles orientados no que compete a distribuição e existências de técnicas, e assim, puderam confeccionar, de forma experimental os cestos e cestinhos de cipó, e manusear as fibras vegetais do cipó.
Esse momento de partilha de conhecimento foi de primordial relevância para manutenção dos saberes locais, das memórias acerca desse saber fazer artesanal na comunidade.

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