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Joana D’Arc: pensamento medieval e a mulher no filme de Victor Fleming
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“Por disposição da misericórdia divina, foi feito oportunamente que Joana, filha de Deus, filha da França, seja colocada entre inúmeros santos.” Assim começa o filme Joana D’Arc de 1948, dirigido por Victor Fleming. Já no início, o filme estabelece que a história de Joana será baseada na imagem de santa, uma hagiografia. Hagiografia: Biografia de um santo Estudos dos escritos que contam a vida dos santos Figurado Biografia elogiosa que exprime grande reverência pelo retratado, abordando apenas aspectos positivos da sua vida e/ou personalidade (Infopédia – Dicionários Porto Editora) O filme nunca questiona o chamado de Joana, pelo contrário, ele fortifica mais ainda a santidade de Joana, que havia somente 28 anos que havia sido canonizada. O filme é a primeira grande produção colorida sobre Joana, que levava o grande nome de Ingrid Bergman como a protagonista, papel esse do qual ela reprisa após fazer a peça “Joan of Lorraine”, da qual é a base para o filme de Fleming. Mas, quem foi Joana para despertar tanto interesse tanto na igreja católica quanto no cinema? Joana nasceu na aldeia de Domremy na França em 1412, vinda de uma família do povo, do anonimato; anonimato esse do qual ficaria se não fosse suas visões para ajudar a França derrotar a Inglaterra na Guerra dos Cem Anos e seu chamado para coroar Delfim Carlos (Carlos VII) como rei da França, fato esse que conseguiu alcançar por conta de seus esforços nos campos de batalha. Joana passou por muitos percalços para provar que suas visões vinham de Deus e que não era uma bruxa, mas apesar de tudo, o título de bruxa que a levou a sua morte na fogueira em um julgamento muito duvidoso e posteriormente cancelado pela igreja católica (MACEDO, 2002). A história e o heroísmo de Joana ganharam as telas no filme de Fleming no contexto do final da Segunda Guerra, um período muito delicado e de grandes mudanças em todos os setores, a retratação de uma pessoa que batalhou e serviu sua missão, se tornou um exemplo e alguém para trazer identificação (SANTOS, 2014). A história de Joana foi representada nas telas nesse período, apesar de seu fim trágico, se levarmos o sentido religioso, seria até um final considerado agridoce, pois apesar de tudo, mesmo com sua condenação, Joana foi honrada por Deus por ter mantido seus ideais. A história de Joana serviria como uma inspiração para um povo que estava passando por uma guerra (assim como Joana). De acordo com Rosenstone sobre filmes dramáticos históricos (2010, p. 33-34)
Title: Joana D’Arc: pensamento medieval e a mulher no filme de Victor Fleming
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“Por disposição da misericórdia divina, foi feito oportunamente que Joana, filha de Deus, filha da França, seja colocada entre inúmeros santos.
” Assim começa o filme Joana D’Arc de 1948, dirigido por Victor Fleming.
Já no início, o filme estabelece que a história de Joana será baseada na imagem de santa, uma hagiografia.
Hagiografia: Biografia de um santo Estudos dos escritos que contam a vida dos santos Figurado Biografia elogiosa que exprime grande reverência pelo retratado, abordando apenas aspectos positivos da sua vida e/ou personalidade (Infopédia – Dicionários Porto Editora) O filme nunca questiona o chamado de Joana, pelo contrário, ele fortifica mais ainda a santidade de Joana, que havia somente 28 anos que havia sido canonizada.
O filme é a primeira grande produção colorida sobre Joana, que levava o grande nome de Ingrid Bergman como a protagonista, papel esse do qual ela reprisa após fazer a peça “Joan of Lorraine”, da qual é a base para o filme de Fleming.
Mas, quem foi Joana para despertar tanto interesse tanto na igreja católica quanto no cinema? Joana nasceu na aldeia de Domremy na França em 1412, vinda de uma família do povo, do anonimato; anonimato esse do qual ficaria se não fosse suas visões para ajudar a França derrotar a Inglaterra na Guerra dos Cem Anos e seu chamado para coroar Delfim Carlos (Carlos VII) como rei da França, fato esse que conseguiu alcançar por conta de seus esforços nos campos de batalha.
Joana passou por muitos percalços para provar que suas visões vinham de Deus e que não era uma bruxa, mas apesar de tudo, o título de bruxa que a levou a sua morte na fogueira em um julgamento muito duvidoso e posteriormente cancelado pela igreja católica (MACEDO, 2002).
A história e o heroísmo de Joana ganharam as telas no filme de Fleming no contexto do final da Segunda Guerra, um período muito delicado e de grandes mudanças em todos os setores, a retratação de uma pessoa que batalhou e serviu sua missão, se tornou um exemplo e alguém para trazer identificação (SANTOS, 2014).
A história de Joana foi representada nas telas nesse período, apesar de seu fim trágico, se levarmos o sentido religioso, seria até um final considerado agridoce, pois apesar de tudo, mesmo com sua condenação, Joana foi honrada por Deus por ter mantido seus ideais.
A história de Joana serviria como uma inspiração para um povo que estava passando por uma guerra (assim como Joana).
De acordo com Rosenstone sobre filmes dramáticos históricos (2010, p.
33-34).
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