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Autorretrato e cosmoaudição

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Este artigo propõe uma abordagem afroperspectivista da infância como via epistêmica para a escuta das relações étnico-raciais, utilizando o autorretrato como ferramenta metodológica e política. Em contraposição às epistemologias adultocêntricas, argumentamos que o autorretrato – enquanto prática visual e narrativa – configura-se como um ato de escuta sensível, ou melhor, de cosmoaudição, conceito alicerçado na cosmopercepção de Oyeronke Oyewumi. O autorretrato infantil é aqui compreendido como tecnologia de memória, agência e ancestralidade. Partimos do princípio de que a infância – enquanto, condição de movimento – representa uma possibilidade filosófica e política que contribui para o enfrentamento ao racismo institucional e as narrativas eurocentradas sobre o desenvolvimento. A pesquisa com crianças, ao se "infancializar", aproxima-se de um estado de brincadeira e escuta radical, gerando uma "mais-valia de vida". Nesse contexto, o autorretrato transcende o desenho, tornando-se uma forma de autoenunciação, tradução de mundos e reconfiguração de cosmoexistências. Defendemos, por fim, uma metodologia antirracista centrada nas crianças como produtoras de conhecimento, em diálogo com experiências de pesquisa e práticas pedagógicas em contextos escolares.
Title: Autorretrato e cosmoaudição
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Este artigo propõe uma abordagem afroperspectivista da infância como via epistêmica para a escuta das relações étnico-raciais, utilizando o autorretrato como ferramenta metodológica e política.
Em contraposição às epistemologias adultocêntricas, argumentamos que o autorretrato – enquanto prática visual e narrativa – configura-se como um ato de escuta sensível, ou melhor, de cosmoaudição, conceito alicerçado na cosmopercepção de Oyeronke Oyewumi.
O autorretrato infantil é aqui compreendido como tecnologia de memória, agência e ancestralidade.
Partimos do princípio de que a infância – enquanto, condição de movimento – representa uma possibilidade filosófica e política que contribui para o enfrentamento ao racismo institucional e as narrativas eurocentradas sobre o desenvolvimento.
A pesquisa com crianças, ao se "infancializar", aproxima-se de um estado de brincadeira e escuta radical, gerando uma "mais-valia de vida".
Nesse contexto, o autorretrato transcende o desenho, tornando-se uma forma de autoenunciação, tradução de mundos e reconfiguração de cosmoexistências.
Defendemos, por fim, uma metodologia antirracista centrada nas crianças como produtoras de conhecimento, em diálogo com experiências de pesquisa e práticas pedagógicas em contextos escolares.

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