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Rancière e a recuperação da política

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No trabalho de Jacques Rancière apresenta-se um retorno caloroso e intransigente sobre a questão do político – ou política, propriamente dita – em oposição à política no sentido ordinário da palavra. Para Rancière, o político é algo irredutível, onde a igualdade fundamental de todas as matérias humanas se manifesta em si mesma, enquanto a política comum é a perversão do político na medida em que encobre essa igualdade instituindo no lugar um arranjo hierárquico da “polis”. Por essa razão, Rancière alega que política habitual é o trabalho que ele chama de “polícia” (não no significado comum), aqui representa a instância que divide a polis de acordo com os interesses daqueles que têm uma “parte” nela. A preocupação de Rancière, contudo, é com a parte do de-mos – ou seja, aqueles “sem parte” – que são ao mesmo tempo excluídos de políticas e inerentes a ela como seu outro constante, ou sua sombra. Este artigo explora as implicações da radicalização por Rancière da noção de “político” – ou da “política” no sentido da busca democrática pela igualdade – para o domínio hierárquico e consensual da (pseudo) política sob a “polícia”, e para as perspectivas da democracia, especialmente considerando o papel ao qual Rancière chama de “dissenso”.
Title: Rancière e a recuperação da política
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No trabalho de Jacques Rancière apresenta-se um retorno caloroso e intransigente sobre a questão do político – ou política, propriamente dita – em oposição à política no sentido ordinário da palavra.
Para Rancière, o político é algo irredutível, onde a igualdade fundamental de todas as matérias humanas se manifesta em si mesma, enquanto a política comum é a perversão do político na medida em que encobre essa igualdade instituindo no lugar um arranjo hierárquico da “polis”.
Por essa razão, Rancière alega que política habitual é o trabalho que ele chama de “polícia” (não no significado comum), aqui representa a instância que divide a polis de acordo com os interesses daqueles que têm uma “parte” nela.
A preocupação de Rancière, contudo, é com a parte do de-mos – ou seja, aqueles “sem parte” – que são ao mesmo tempo excluídos de políticas e inerentes a ela como seu outro constante, ou sua sombra.
Este artigo explora as implicações da radicalização por Rancière da noção de “político” – ou da “política” no sentido da busca democrática pela igualdade – para o domínio hierárquico e consensual da (pseudo) política sob a “polícia”, e para as perspectivas da democracia, especialmente considerando o papel ao qual Rancière chama de “dissenso”.

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