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Estrutura independente e parede portante: origem e evolução da proposição de Lucio Costa
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A assimilação do esqueleto estrutural em concreto armado ou aço é um dos problemas que os arquitetos enfrentam no ultimo terço do século XIX. Modo de construção característico da idade da máquina, viabilizando tanto separar apoio de vedação quanto levantar arranha-céus, o esqueleto independente com seus suportes pontuais torna antiquados os sistemas construtivos contínuos e maciços de paredes portantes. Aliado a paredes de vidro e tabiques leves, alimenta visões de uma arquitetura de colunas remetendo ao Partenon, tanto quanto preferia Quatremère de Quincy, como à “cabana primitiva” do abade Marc-Antoine Laugier, inspirada numa arquitetura de pura estrutura à emulação da arquitetura gótica, como queria Eugène Emmanuel Viollet-le-Duc. A assimilação desse esqueleto implica disputas acirradas entre defensores de uma “nova tradição” e “novos pioneiros” mais jovens, dentre quais estava Le Corbusier, que proclamava que “as grandes épocas de arquitetura dependem de um sistema puro de estrutura”, e promovia em sua obra uma estrutura independente específica, do tipo proposto nas casas Domino de 1915, sem vigas aparentes que comprometessem a livre disposição das paredes internas e externas.Para Lucio Costa, a entrada em cena da ossatura independente tipo Dom-ino, é vista como a estrutura característica e preferencial da nova arquitetura. Tal atribuição leva o esquema de placas paralelas estratificadas sobre grelha de suportes à condição de estatuto paradigmático em Razões da nova arquitetura (1936) e da definição da arquitetura moderna como arquitetura inclusiva em Universidade do Brasil (1937) que leva à noção da arquitetura moderna como sistema triarticulado em termos de tipologias estruturais e programáticas, implicando um sistema de viés hierárquico, mas que inclui estruturas especiais referenciadas à arquitetura gótica e estruturas de apoio contínuo de referencial clássico para alternativas híbridas com a estrutura preferencial. Tal assimilação equaciona longa crise disciplinar gestada no século XIX, identificada por Costa entre “duas concepções opostas em que sempre se baseiam todas as manifestações” e que se só se encerra definitivamente com a hegemonia da arquitetura moderna por toda a parte no pós-guerra, transformação revolucionária antecipada pela vanguarda européia nos anos 1920 e pela vanguarda carioca nos anos 1930.Este artigo discute as fontes da proposição inclusiva de Costa que estiveram no centro dos debates ao longo do século XIX e que fundamentam a arquitetura moderna brasileira. A investigação relaciona a evolução do apoio pontual em relação ao muro portante sob as tensões entre comportamento estrutural e as demandas formais como origem dessa crise disciplinar. Iniciadas no crescente conflito entre a dimensão artística e a técnica da disciplina arquitetônica que marca a segunda metade do século XVIII, a partir da filosofia do Iluminismo e posteriormente sob o Racionalismo Estrutural do século XIX, novos métodos são postos em confronto com as formas até então resultantes de processos exclusivamente empíricos. No centro desses debates estão as controvérsias sobre a coluna independente que levou ao surgimento da completa noção moderna de estrutura, uma noção que iria informar as primeiras experiências na construção de ferro e o subsequente desenvolvimento do pensamento estrutural emergente no século XX.
Title: Estrutura independente e parede portante: origem e evolução da proposição de Lucio Costa
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A assimilação do esqueleto estrutural em concreto armado ou aço é um dos problemas que os arquitetos enfrentam no ultimo terço do século XIX.
Modo de construção característico da idade da máquina, viabilizando tanto separar apoio de vedação quanto levantar arranha-céus, o esqueleto independente com seus suportes pontuais torna antiquados os sistemas construtivos contínuos e maciços de paredes portantes.
Aliado a paredes de vidro e tabiques leves, alimenta visões de uma arquitetura de colunas remetendo ao Partenon, tanto quanto preferia Quatremère de Quincy, como à “cabana primitiva” do abade Marc-Antoine Laugier, inspirada numa arquitetura de pura estrutura à emulação da arquitetura gótica, como queria Eugène Emmanuel Viollet-le-Duc.
A assimilação desse esqueleto implica disputas acirradas entre defensores de uma “nova tradição” e “novos pioneiros” mais jovens, dentre quais estava Le Corbusier, que proclamava que “as grandes épocas de arquitetura dependem de um sistema puro de estrutura”, e promovia em sua obra uma estrutura independente específica, do tipo proposto nas casas Domino de 1915, sem vigas aparentes que comprometessem a livre disposição das paredes internas e externas.
Para Lucio Costa, a entrada em cena da ossatura independente tipo Dom-ino, é vista como a estrutura característica e preferencial da nova arquitetura.
Tal atribuição leva o esquema de placas paralelas estratificadas sobre grelha de suportes à condição de estatuto paradigmático em Razões da nova arquitetura (1936) e da definição da arquitetura moderna como arquitetura inclusiva em Universidade do Brasil (1937) que leva à noção da arquitetura moderna como sistema triarticulado em termos de tipologias estruturais e programáticas, implicando um sistema de viés hierárquico, mas que inclui estruturas especiais referenciadas à arquitetura gótica e estruturas de apoio contínuo de referencial clássico para alternativas híbridas com a estrutura preferencial.
Tal assimilação equaciona longa crise disciplinar gestada no século XIX, identificada por Costa entre “duas concepções opostas em que sempre se baseiam todas as manifestações” e que se só se encerra definitivamente com a hegemonia da arquitetura moderna por toda a parte no pós-guerra, transformação revolucionária antecipada pela vanguarda européia nos anos 1920 e pela vanguarda carioca nos anos 1930.
Este artigo discute as fontes da proposição inclusiva de Costa que estiveram no centro dos debates ao longo do século XIX e que fundamentam a arquitetura moderna brasileira.
A investigação relaciona a evolução do apoio pontual em relação ao muro portante sob as tensões entre comportamento estrutural e as demandas formais como origem dessa crise disciplinar.
Iniciadas no crescente conflito entre a dimensão artística e a técnica da disciplina arquitetônica que marca a segunda metade do século XVIII, a partir da filosofia do Iluminismo e posteriormente sob o Racionalismo Estrutural do século XIX, novos métodos são postos em confronto com as formas até então resultantes de processos exclusivamente empíricos.
No centro desses debates estão as controvérsias sobre a coluna independente que levou ao surgimento da completa noção moderna de estrutura, uma noção que iria informar as primeiras experiências na construção de ferro e o subsequente desenvolvimento do pensamento estrutural emergente no século XX.
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