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Camadas de cobertura para mitigação de impactos ambientais da drenagem ácida de mina

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A mineração, essencial para o desenvolvimento socioeconômico, tem impactos ambientais, como a Drenagem Ácida de Mina (DAM). A DAM resulta da oxidação de minerais sulfetados no minério de ouro, acidificando a água de drenagem e liberando elementos tóxicos, com destaque para o arsênio. A recuperação de substratos sulfetados, especialmente contaminados com arsênio, requer abordagens integradas e a identificação de plantas tolerantes a esse elemento. O estudo avaliou o efeito de camadas de cobertura sobre substratos sulfetados para promover a revegetação e mitigar a lixiviação de produtos da DAM para as águas subterrâneas. A área experimental consiste em treze tratamentos que envolveram a sobreposição de três camadas sobre um substrato sulfetado pouco intemperizado (B2). A primeira camada, chamada camada de quebra de capilaridade (CQC), foi composta por brita ou laterita, para prevenir a ascensão de água por capilaridade. A segunda camada, chamada camada selante (CS), com a função de reduzir a drenagem de água e o possível fluxo de gases, sendo formada por solo (Latossolo) ou substrato sulfetado muito intemperizado (B1). A última camada destinada a suportar o crescimento das plantas, era composta por solo ou substrato B1 e chamada de camada de cobertura (CC).As amostras de solo e substrato foram coletadas, secas ao ar e peneiradas em malha de 2 mm antes de serem submetidas a análises químicas e físicas. Amostras de folhas/caule e raízes de Andropogon gayanus, espécie predominante em todos os tratamentos, foram coletadas para caracterização química. Na CC, o solo apresenta textura muito argilosa, enquanto o substrato B1 possui textura franco siltosa. O valor médio da acidez potencial nos tratamentos que incluem solo na CC é de 5,01 cmolc dm-3, superior ao valor médio encontrado para o substrato B1 (0,55 cmolcdm-3). Não foram identificados teores disponíveis de As no solo; entretanto, no substrato B1, esses teores variaram de 4,07 mg kg-1 a 14,96 mg kg-1. Nos tratamentos com substrato B1 na CC observou-se a presença de As total. Na CS, os teores de S foram maiores nos tratamentos compostos por substrato B1, assim como os teores de As disponível. Vale destacar que os tratamentos com substrato B1 na CS, seguidos por brita calcária na CQC, exibiram teores mais elevados de As disponível (10,42 mg kg-1), em comparação com aqueles que utilizaram substrato B1 seguido de laterita (7,19 mg kg- 1).A média dos conteúdos foliares de As foi de 8,27 mg kg -1 para plantas estabelecidas sobre o substrato B1, enquanto aquelas estabelecidas sobre solo a média foi de 0,39 mg kg-1. Nos tratamentos em que a CS estava ausente, o conteúdo foliar médio de As foi de 5,78 mg kg-1, enquanto nos tratamentos que apresentaram a CS, a média foi de 3,60 mg kg-1. De modo geral, os tratamentos constituídos por laterita na CQC apresentaram conteúdo foliar médio assimilado de As de 4,07 mg kg-1,enquanto os tratamentos constituídos por brita calcária na CQC apresentaram valor 4,74 mg kg -1. Os conteúdos de As foram mais elevados nas raízes em comparação com a parte aérea. A adição de solo na camada superior favoreceu uma melhor nutrição para a vegetação e reduziu a absorção de metais, devido às condições químicas mais favoráveis desse material em comparação com o substrato B1. Por apresentar menores teores totais de As e maior capacidade de retenção de água, a CS composta por solo é a opção mais adequada para estabelecer a vegetação. No entanto, a presença do substrato B1 pode ser considerada, especialmente devido à sua propensão à compactação e selamento. Das amostras de água percolada analisadas, o tratamento constituído por substrato B1 nas CC e CS e laterita na CQ apresentou as maiores concentrações de As, Fe e Oxigênio Dissolvido, além de possuir um dos maiores valores de S dentre os tratamentos avaliados. De acordo com a Resolução CONAMA 420 (2009), o limite máximo para a concentração de arsênio na água subterrânea é de 10 μg L-1. Apenas os tratamentos constituídos por substrato B1 na CC, solo na CS e brita na CQ; solo nas CC e Cs e Brita na CQ; Substrato B1 na CC, ausência da CS e brita na CQ; Solo na CC, ausência da CS e brita na CQ; e Solo nas CC e CS e laterita na CQ apresentaram valores inferiores ao limite estipulado. A água percolada pelo tratamento constituído por solo nas CC e Cs e Brita na CQ apresentou maior eficácia na retenção dos subprodutos da DAM, o que pode estar relacionado presença de solo em suas CC e CS. De modo geral, o tratamento mais indicado seria aquele constituído por solo nas camadas de cobertura e selamento, porém o solo é um recurso escasso na área. Alternativamente, para se empregar o substrato B1, o melhor tratamento foi aquele com solo na camada de cobertura, B1 na camada de selamento e brita calcária na camada de quebra de capilaridade. Palavras-chave: Revegetação. Arsênio. Lixiviação.
Pro-Reitoria de Pesquisa e Pos-Graduacai - UFV
Title: Camadas de cobertura para mitigação de impactos ambientais da drenagem ácida de mina
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A mineração, essencial para o desenvolvimento socioeconômico, tem impactos ambientais, como a Drenagem Ácida de Mina (DAM).
A DAM resulta da oxidação de minerais sulfetados no minério de ouro, acidificando a água de drenagem e liberando elementos tóxicos, com destaque para o arsênio.
A recuperação de substratos sulfetados, especialmente contaminados com arsênio, requer abordagens integradas e a identificação de plantas tolerantes a esse elemento.
O estudo avaliou o efeito de camadas de cobertura sobre substratos sulfetados para promover a revegetação e mitigar a lixiviação de produtos da DAM para as águas subterrâneas.
A área experimental consiste em treze tratamentos que envolveram a sobreposição de três camadas sobre um substrato sulfetado pouco intemperizado (B2).
A primeira camada, chamada camada de quebra de capilaridade (CQC), foi composta por brita ou laterita, para prevenir a ascensão de água por capilaridade.
A segunda camada, chamada camada selante (CS), com a função de reduzir a drenagem de água e o possível fluxo de gases, sendo formada por solo (Latossolo) ou substrato sulfetado muito intemperizado (B1).
A última camada destinada a suportar o crescimento das plantas, era composta por solo ou substrato B1 e chamada de camada de cobertura (CC).
As amostras de solo e substrato foram coletadas, secas ao ar e peneiradas em malha de 2 mm antes de serem submetidas a análises químicas e físicas.
Amostras de folhas/caule e raízes de Andropogon gayanus, espécie predominante em todos os tratamentos, foram coletadas para caracterização química.
Na CC, o solo apresenta textura muito argilosa, enquanto o substrato B1 possui textura franco siltosa.
O valor médio da acidez potencial nos tratamentos que incluem solo na CC é de 5,01 cmolc dm-3, superior ao valor médio encontrado para o substrato B1 (0,55 cmolcdm-3).
Não foram identificados teores disponíveis de As no solo; entretanto, no substrato B1, esses teores variaram de 4,07 mg kg-1 a 14,96 mg kg-1.
Nos tratamentos com substrato B1 na CC observou-se a presença de As total.
Na CS, os teores de S foram maiores nos tratamentos compostos por substrato B1, assim como os teores de As disponível.
Vale destacar que os tratamentos com substrato B1 na CS, seguidos por brita calcária na CQC, exibiram teores mais elevados de As disponível (10,42 mg kg-1), em comparação com aqueles que utilizaram substrato B1 seguido de laterita (7,19 mg kg- 1).
A média dos conteúdos foliares de As foi de 8,27 mg kg -1 para plantas estabelecidas sobre o substrato B1, enquanto aquelas estabelecidas sobre solo a média foi de 0,39 mg kg-1.
Nos tratamentos em que a CS estava ausente, o conteúdo foliar médio de As foi de 5,78 mg kg-1, enquanto nos tratamentos que apresentaram a CS, a média foi de 3,60 mg kg-1.
De modo geral, os tratamentos constituídos por laterita na CQC apresentaram conteúdo foliar médio assimilado de As de 4,07 mg kg-1,enquanto os tratamentos constituídos por brita calcária na CQC apresentaram valor 4,74 mg kg -1.
Os conteúdos de As foram mais elevados nas raízes em comparação com a parte aérea.
A adição de solo na camada superior favoreceu uma melhor nutrição para a vegetação e reduziu a absorção de metais, devido às condições químicas mais favoráveis desse material em comparação com o substrato B1.
Por apresentar menores teores totais de As e maior capacidade de retenção de água, a CS composta por solo é a opção mais adequada para estabelecer a vegetação.
No entanto, a presença do substrato B1 pode ser considerada, especialmente devido à sua propensão à compactação e selamento.
Das amostras de água percolada analisadas, o tratamento constituído por substrato B1 nas CC e CS e laterita na CQ apresentou as maiores concentrações de As, Fe e Oxigênio Dissolvido, além de possuir um dos maiores valores de S dentre os tratamentos avaliados.
De acordo com a Resolução CONAMA 420 (2009), o limite máximo para a concentração de arsênio na água subterrânea é de 10 μg L-1.
Apenas os tratamentos constituídos por substrato B1 na CC, solo na CS e brita na CQ; solo nas CC e Cs e Brita na CQ; Substrato B1 na CC, ausência da CS e brita na CQ; Solo na CC, ausência da CS e brita na CQ; e Solo nas CC e CS e laterita na CQ apresentaram valores inferiores ao limite estipulado.
A água percolada pelo tratamento constituído por solo nas CC e Cs e Brita na CQ apresentou maior eficácia na retenção dos subprodutos da DAM, o que pode estar relacionado presença de solo em suas CC e CS.
De modo geral, o tratamento mais indicado seria aquele constituído por solo nas camadas de cobertura e selamento, porém o solo é um recurso escasso na área.
Alternativamente, para se empregar o substrato B1, o melhor tratamento foi aquele com solo na camada de cobertura, B1 na camada de selamento e brita calcária na camada de quebra de capilaridade.
Palavras-chave: Revegetação.
Arsênio.
Lixiviação.

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