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Granulados Siliciclásticos
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As algas calcárias vermelhas (coralline algae), são compostos biogênicos, formados
por material mineral, a calcita magnesiana (> 95%). As formas livres destas algas
incrustantes (rodolitos e maerl) e seus fragmentos sedimentares (cascalho de algas,
granulado, agregado bioclástico) constituem a principal matéria-prima para extração
mineral. A explotação das algas foi intensa na França e na Inglaterra, desde o século
XVII. Na década de 70 na França extraía-se 600 mil ton./ano. A interdição total da
extração na França, no final de 2013, deu-se para evitar o total desaparecimento das
algas calcárias vivas, que crescem na superfície do fundo (fotossíntese), sobre camadas
de algas mortas (minério). São utilizadas em diversas aplicações: agricultura, nutrição
animal, filtragem e potabilização de água para consumo, indústria de cosméticos,
dietética, implantes em cirurgia óssea, tratamento da água em lagos. O vasto número
elementos nutrientes, contidos nas algas, e sua excepcional estrutura física, com ~40%
de porosidade intragrãos, diferenciam totalmente o granulado bioclástico marinho do
calcário continental. Para se avaliar a magnitude do volume potencial de granulados
bioclásticos na plataforma continental brasileira, basta considerar apenas as áreas
requeridas da plataforma do ES, que contêm volumes superiores ao total extraído na
Bretanha (França), durante mais de 50 anos (1950 – 2010). Os mergulhos de diagnóstico
ambiental e monitoramentos, realizados durante vários anos na mesma área (ES), por
pesquisadores da USP, UFRJ e UFF, financiados pela empresa Fermisa/Algarea, mostraram
que os impactos naturais do fundo marinho podem ser proporcionalmente maiores do que os
impactos da extração mineral propriamente dita. Isto se deve ao fato de ser um fundo
móvel, sujeito a remobilizações causadas por ondas e correntes (contrariamente às
suposições preestabelecidas). Os estudos contribuíram para subsidiar o licenciamento
ambiental (EIA RIMA) aprovados pelo IBAMA. Considerando que todas as espécies vivas de
organismos bentônicos, estão concentradas muito próximos da superfície do fundo marinho
(~ 60 cm), a extração mineral dos sedimentos bioclásticos, deve ser concentrada ao
máximo em subsuperfície. A pesca de arrasto sobre o fundo marinho pode também impactar
severamente esta fina camada superficial do sedimento. Em todas as áreas licenciadas
pelo IBAMA, os granulados bioclásticos são formados por depósitos móveis de “cascalho de
algas”. Em áreas estáveis as algas formam “recifes” (unattached algal reefs), e devem
ser preservadas da extração mineral (e da pesca), pois constituem refúgios para várias
centenas de espécies. Palavras-chave: extração mineral, granulados, algas calcárias,
histórico, tipos de ocorrência, impactos naturais e antrópicos. Abstract Red calcareous
algae (coralline algae) are composed of mineral material, (magnesian calcite > 95%).
The free forms of these encrusting algae (rhodoliths and maerl) and their sedimentary
fragments (algae gravel, granules, bioclastic aggregate) constitute the main raw
material for mineral extraction. The exploitation of algae has been intense in France
and England since the 17th century. In the 70s, in France, 600 thousand ton./year were
extracted. The total ban on extraction in France at the end of 2013 was to prevent the
total extinction of the live calcareous algae, which grow on the bottom surface
(photosynthesis), over layers of dead algae (ore). They are used in various
applications: agriculture, animal nutrition, filtering and drinking water for
consumption, cosmetics industry, diet, implants in bone surgery, water treatment in
lakes. The vast number of nutrient elements contained in the algae and its exceptional
physical structure, (~40% intragrain porosity), fully differentiate marine bioclastic
granules from continental limestone. To assess the magnitude of the potential volume of
bioclastic granules on the Brazilian continental shelf, it is enough to consider only
the areas required of the ES shelf, which contain volumes greater than the total
extracted in Brittany (France), for more than 50 years (1950 – 2010). The environmental
diagnosis and monitoring dives, carried out for several years in the same area (ES), by
researchers from USP, UFRJ and UFF, financed by the company Fermisa/Algarea, showed that
the natural impacts of the seabed can be proportionally greater than the impacts of the
mineral extraction itself. This is due to the fact that it is a mobile sea bottom, at
the inner shelf (12-25m depth) subject to remobilizations caused by waves and currents
(contrary to pre-established assumptions). These studies contributed to subsidizing the
environmental licensing (EIA RIMA) approved by Government Environmental Agency (IBAMA).
Considering that all living species of benthic organisms are concentrated very close to
the surface of the seabed (~ 60 cm), the mineral extraction of bioclastic sediments
should be concentrated as much as possible in the subsurface. Seabed trawling can also
severely impact this thin surface layer of sediment. In all areas licensed by IBAMA,
bioclastic granules are formed by mobile deposits of “algae gravel”. In stable areas,
these algae form “reefs” (unattached algal reefs), and must be preserved from mineral
extraction (and fishing), as they constitute refuges for several hundred species.
Keywords: calcareous algae, types of occurrences, exploitation history, natural and
anthropogenic impacts.
Sociedade Brasileira de Geofísica - SBGf
Title: Granulados Siliciclásticos
Description:
As algas calcárias vermelhas (coralline algae), são compostos biogênicos, formados
por material mineral, a calcita magnesiana (> 95%).
As formas livres destas algas
incrustantes (rodolitos e maerl) e seus fragmentos sedimentares (cascalho de algas,
granulado, agregado bioclástico) constituem a principal matéria-prima para extração
mineral.
A explotação das algas foi intensa na França e na Inglaterra, desde o século
XVII.
Na década de 70 na França extraía-se 600 mil ton.
/ano.
A interdição total da
extração na França, no final de 2013, deu-se para evitar o total desaparecimento das
algas calcárias vivas, que crescem na superfície do fundo (fotossíntese), sobre camadas
de algas mortas (minério).
São utilizadas em diversas aplicações: agricultura, nutrição
animal, filtragem e potabilização de água para consumo, indústria de cosméticos,
dietética, implantes em cirurgia óssea, tratamento da água em lagos.
O vasto número
elementos nutrientes, contidos nas algas, e sua excepcional estrutura física, com ~40%
de porosidade intragrãos, diferenciam totalmente o granulado bioclástico marinho do
calcário continental.
Para se avaliar a magnitude do volume potencial de granulados
bioclásticos na plataforma continental brasileira, basta considerar apenas as áreas
requeridas da plataforma do ES, que contêm volumes superiores ao total extraído na
Bretanha (França), durante mais de 50 anos (1950 – 2010).
Os mergulhos de diagnóstico
ambiental e monitoramentos, realizados durante vários anos na mesma área (ES), por
pesquisadores da USP, UFRJ e UFF, financiados pela empresa Fermisa/Algarea, mostraram
que os impactos naturais do fundo marinho podem ser proporcionalmente maiores do que os
impactos da extração mineral propriamente dita.
Isto se deve ao fato de ser um fundo
móvel, sujeito a remobilizações causadas por ondas e correntes (contrariamente às
suposições preestabelecidas).
Os estudos contribuíram para subsidiar o licenciamento
ambiental (EIA RIMA) aprovados pelo IBAMA.
Considerando que todas as espécies vivas de
organismos bentônicos, estão concentradas muito próximos da superfície do fundo marinho
(~ 60 cm), a extração mineral dos sedimentos bioclásticos, deve ser concentrada ao
máximo em subsuperfície.
A pesca de arrasto sobre o fundo marinho pode também impactar
severamente esta fina camada superficial do sedimento.
Em todas as áreas licenciadas
pelo IBAMA, os granulados bioclásticos são formados por depósitos móveis de “cascalho de
algas”.
Em áreas estáveis as algas formam “recifes” (unattached algal reefs), e devem
ser preservadas da extração mineral (e da pesca), pois constituem refúgios para várias
centenas de espécies.
Palavras-chave: extração mineral, granulados, algas calcárias,
histórico, tipos de ocorrência, impactos naturais e antrópicos.
Abstract Red calcareous
algae (coralline algae) are composed of mineral material, (magnesian calcite > 95%).
The free forms of these encrusting algae (rhodoliths and maerl) and their sedimentary
fragments (algae gravel, granules, bioclastic aggregate) constitute the main raw
material for mineral extraction.
The exploitation of algae has been intense in France
and England since the 17th century.
In the 70s, in France, 600 thousand ton.
/year were
extracted.
The total ban on extraction in France at the end of 2013 was to prevent the
total extinction of the live calcareous algae, which grow on the bottom surface
(photosynthesis), over layers of dead algae (ore).
They are used in various
applications: agriculture, animal nutrition, filtering and drinking water for
consumption, cosmetics industry, diet, implants in bone surgery, water treatment in
lakes.
The vast number of nutrient elements contained in the algae and its exceptional
physical structure, (~40% intragrain porosity), fully differentiate marine bioclastic
granules from continental limestone.
To assess the magnitude of the potential volume of
bioclastic granules on the Brazilian continental shelf, it is enough to consider only
the areas required of the ES shelf, which contain volumes greater than the total
extracted in Brittany (France), for more than 50 years (1950 – 2010).
The environmental
diagnosis and monitoring dives, carried out for several years in the same area (ES), by
researchers from USP, UFRJ and UFF, financed by the company Fermisa/Algarea, showed that
the natural impacts of the seabed can be proportionally greater than the impacts of the
mineral extraction itself.
This is due to the fact that it is a mobile sea bottom, at
the inner shelf (12-25m depth) subject to remobilizations caused by waves and currents
(contrary to pre-established assumptions).
These studies contributed to subsidizing the
environmental licensing (EIA RIMA) approved by Government Environmental Agency (IBAMA).
Considering that all living species of benthic organisms are concentrated very close to
the surface of the seabed (~ 60 cm), the mineral extraction of bioclastic sediments
should be concentrated as much as possible in the subsurface.
Seabed trawling can also
severely impact this thin surface layer of sediment.
In all areas licensed by IBAMA,
bioclastic granules are formed by mobile deposits of “algae gravel”.
In stable areas,
these algae form “reefs” (unattached algal reefs), and must be preserved from mineral
extraction (and fishing), as they constitute refuges for several hundred species.
Keywords: calcareous algae, types of occurrences, exploitation history, natural and
anthropogenic impacts.
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