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Pobreza multidimensional e choques de renda no Brasil
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Esta tese está estruturada em dois ensaios e se dedica ao estudo da evolução da pobreza multidimensional no Brasil, bem como à análise dos efeitos de choques de renda sobre suas diferentes dimensões. O objetivo central é compreender como está estruturada a pobreza no Brasil e de que forma choques de renda impactam não apenas a incidência geral da pobreza, mas também suas manifestações específicas, como nas áreas de educação, padrão de vida e recursos econômicos. Adicionalmente, o trabalho aborda aspectos da vulnerabilidade social, com destaque para as desigualdades de gênero, raça e região, evidenciando como certos grupos populacionais são mais suscetíveis à pobreza e mais expostos aos efeitos adversos provocados por choques de renda. Neste sentido, o primeiro ensaio teve como objetivo medir e avaliar a evolução da pobreza multidimensional em todas as regiões do Brasil e entre diferentes perfis populacionais, buscando identificar as maiores vulnerabilidades com base nas características territoriais e demográficas, fornecendo uma compreensão detalhada das desigualdades existentes. Com base em dados da PNAD Contínua entre os anos de 2016 a 2022, a estratégia empírica adotada para atingir os objetivos propostos baseou-se no método do Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) combinando elementos multidimensionais (padrão de vida, educação e saúde) com a abordagem monetária (insuficiência de renda). Os resultados gerais do primeiro ensaio indicaram uma tendência de redução tanto da incidência de pobreza multidimensional quanto da proporção de extrema pobreza ao longo do período analisado. No entanto, essa redução não é uniforme e esconde profundas desigualdades regionais e demográficas. A pobreza no Brasil se mostrou caracterizada em sua predominância pela vulnerabilidade feminina e elevadas proporções de pobreza entre negros, residentes de áreas rurais e habitantes das regiões Norte e Nordeste. Por sua vez, o segundo ensaio foi dedicado a análise dos efeitos de choques de renda, positivos e negativos, sobre a probabilidade de pobreza multidimensional nas regiões metropolitanas brasileiras. A estratégia metodológica adotada consistiu em utilizar a variação da taxa de desemprego como proxy para os choques de renda e avaliar seus efeitos tanto sobre o índice geral de pobreza multidimensional quanto em suas dimensões específicas: educação, padrão de vida e recursos econômicos. Adicionalmente, foram exploradas as desigualdades na vulnerabilidade à pobreza com recortes por gênero e raça, a fim de evidenciar como desigualdades estruturais afetam diferentes grupos populacionais. A análise foi conduzida com dados da PNAD Contínua para o período de 2016 a 2023. Os principais resultados deste segundo ensaio indicam que choques de renda negativos aumentam significativamente a probabilidade de pobreza multidimensional, com mulheres e pessoas negras sendo desproporcionalmente mais vulneráveis. Por outro lado, os choques positivos apresentaram efeitos menos expressivos na redução da pobreza, sugerindo que essa condição tende a ser persistente e não facilmente revertida por aumentos pontuais de renda. No que diz respeito às dimensões analisadas isoladamente, a dimensão recursos econômicos revelou-se a mais sensível aos choques, enquanto as dimensões padrão de vida e educação mostraram menor resposta às variações derivadas dos choques de renda. Palavras-chave: pobreza multidimensional ; choques de renda; taxa de desemprego; desigualdades regionais; características demográficas
Title: Pobreza multidimensional e choques de renda no Brasil
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Esta tese está estruturada em dois ensaios e se dedica ao estudo da evolução da pobreza multidimensional no Brasil, bem como à análise dos efeitos de choques de renda sobre suas diferentes dimensões.
O objetivo central é compreender como está estruturada a pobreza no Brasil e de que forma choques de renda impactam não apenas a incidência geral da pobreza, mas também suas manifestações específicas, como nas áreas de educação, padrão de vida e recursos econômicos.
Adicionalmente, o trabalho aborda aspectos da vulnerabilidade social, com destaque para as desigualdades de gênero, raça e região, evidenciando como certos grupos populacionais são mais suscetíveis à pobreza e mais expostos aos efeitos adversos provocados por choques de renda.
Neste sentido, o primeiro ensaio teve como objetivo medir e avaliar a evolução da pobreza multidimensional em todas as regiões do Brasil e entre diferentes perfis populacionais, buscando identificar as maiores vulnerabilidades com base nas características territoriais e demográficas, fornecendo uma compreensão detalhada das desigualdades existentes.
Com base em dados da PNAD Contínua entre os anos de 2016 a 2022, a estratégia empírica adotada para atingir os objetivos propostos baseou-se no método do Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) combinando elementos multidimensionais (padrão de vida, educação e saúde) com a abordagem monetária (insuficiência de renda).
Os resultados gerais do primeiro ensaio indicaram uma tendência de redução tanto da incidência de pobreza multidimensional quanto da proporção de extrema pobreza ao longo do período analisado.
No entanto, essa redução não é uniforme e esconde profundas desigualdades regionais e demográficas.
A pobreza no Brasil se mostrou caracterizada em sua predominância pela vulnerabilidade feminina e elevadas proporções de pobreza entre negros, residentes de áreas rurais e habitantes das regiões Norte e Nordeste.
Por sua vez, o segundo ensaio foi dedicado a análise dos efeitos de choques de renda, positivos e negativos, sobre a probabilidade de pobreza multidimensional nas regiões metropolitanas brasileiras.
A estratégia metodológica adotada consistiu em utilizar a variação da taxa de desemprego como proxy para os choques de renda e avaliar seus efeitos tanto sobre o índice geral de pobreza multidimensional quanto em suas dimensões específicas: educação, padrão de vida e recursos econômicos.
Adicionalmente, foram exploradas as desigualdades na vulnerabilidade à pobreza com recortes por gênero e raça, a fim de evidenciar como desigualdades estruturais afetam diferentes grupos populacionais.
A análise foi conduzida com dados da PNAD Contínua para o período de 2016 a 2023.
Os principais resultados deste segundo ensaio indicam que choques de renda negativos aumentam significativamente a probabilidade de pobreza multidimensional, com mulheres e pessoas negras sendo desproporcionalmente mais vulneráveis.
Por outro lado, os choques positivos apresentaram efeitos menos expressivos na redução da pobreza, sugerindo que essa condição tende a ser persistente e não facilmente revertida por aumentos pontuais de renda.
No que diz respeito às dimensões analisadas isoladamente, a dimensão recursos econômicos revelou-se a mais sensível aos choques, enquanto as dimensões padrão de vida e educação mostraram menor resposta às variações derivadas dos choques de renda.
Palavras-chave: pobreza multidimensional ; choques de renda; taxa de desemprego; desigualdades regionais; características demográficas.
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