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Contracartografia e colagens do desastre : um estudo sobre o reassentamento de Bento Rodrigues
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Nas últimas décadas, a expansão de megaprojetos voltados ao controle, extração e exportação de bens naturais de baixo valor agregado tem sido impulsionada pela reprimarização das economias latino-americanas com o apoio do Estado. Nesse contexto, as regiões especializadas na produção de commodities, profundamente atreladas à apropriação e mercantilização da natureza, tornam-se cada vez mais vulneráveis a desastres ambientais. É o caso de territórios minerados no Brasil, em que o desastre-crime da Samarco, com o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora, ilustra como os impactos ultrapassaram os limites físicos dos complexos de mineração, atingindo comunidades inteiras, como a de Bento Rodrigues, provocando destruição ambiental, social e cultural em larga escala. Diante das disputas em torno da reparação e da garantia de direitos das(os) atingidas(os), o mapeamento e seus produtos se configuram como ferramentas estratégicas de luta, pois produzem e reproduzem relações de saber-poder. Monopolizar o direito de cartografar, significa deter o controle sobre os conhecimentos físicos, políticos, sociais e temporais dos territórios atingidos. Por isso, torna-se fundamental que os dados geográficos e temporais relativos ao processo de reassentamento não estejam sob o domínio exclusivo das empresas. A democratização dessas informações permite dar visibilidade às suas identidades e memórias, e ampliar o conhecimento sobre esses territórios e suas histórias. Esta pesquisa propõe um estudo sobre o processo de (ir)reparação do subdistrito de Bento Rodrigues, a partir da elaboração de materiais cartográficos que contribuam para a compreensão espacial e territorial do desenvolvimento e da construção do reassentamento.||Para isso, foram desenvolvidas ilustrações, colagens, mapas e uma linha do tempo do processo de reparação, com o intuito de representar e interpretar criticamente o território em transformação. Esses materiais visuais foram construídos a partir da articulação entre dados documentais, relatos de moradores e observações de campo, permitindo uma leitura crítica do reassentamento. As colagens e ilustrações foram utilizadas como formas de expressão visual que revelam dimensões subjetivas e afetivas do processo vivenciado pelos atingidos, enquanto os mapas e a linha do tempo organizam e sistematizam as mudanças espaciais e temporais ocorridas desde o desastre de 2015. A combinação desses recursos busca ampliar as possibilidades de leitura do território, evidenciando tensões, silenciamentos e resistências ao longo da reparação.
Universidade de São Paulo. Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais
Title: Contracartografia e colagens do desastre : um estudo sobre o reassentamento de Bento Rodrigues
Description:
Nas últimas décadas, a expansão de megaprojetos voltados ao controle, extração e exportação de bens naturais de baixo valor agregado tem sido impulsionada pela reprimarização das economias latino-americanas com o apoio do Estado.
Nesse contexto, as regiões especializadas na produção de commodities, profundamente atreladas à apropriação e mercantilização da natureza, tornam-se cada vez mais vulneráveis a desastres ambientais.
É o caso de territórios minerados no Brasil, em que o desastre-crime da Samarco, com o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora, ilustra como os impactos ultrapassaram os limites físicos dos complexos de mineração, atingindo comunidades inteiras, como a de Bento Rodrigues, provocando destruição ambiental, social e cultural em larga escala.
Diante das disputas em torno da reparação e da garantia de direitos das(os) atingidas(os), o mapeamento e seus produtos se configuram como ferramentas estratégicas de luta, pois produzem e reproduzem relações de saber-poder.
Monopolizar o direito de cartografar, significa deter o controle sobre os conhecimentos físicos, políticos, sociais e temporais dos territórios atingidos.
Por isso, torna-se fundamental que os dados geográficos e temporais relativos ao processo de reassentamento não estejam sob o domínio exclusivo das empresas.
A democratização dessas informações permite dar visibilidade às suas identidades e memórias, e ampliar o conhecimento sobre esses territórios e suas histórias.
Esta pesquisa propõe um estudo sobre o processo de (ir)reparação do subdistrito de Bento Rodrigues, a partir da elaboração de materiais cartográficos que contribuam para a compreensão espacial e territorial do desenvolvimento e da construção do reassentamento.
||Para isso, foram desenvolvidas ilustrações, colagens, mapas e uma linha do tempo do processo de reparação, com o intuito de representar e interpretar criticamente o território em transformação.
Esses materiais visuais foram construídos a partir da articulação entre dados documentais, relatos de moradores e observações de campo, permitindo uma leitura crítica do reassentamento.
As colagens e ilustrações foram utilizadas como formas de expressão visual que revelam dimensões subjetivas e afetivas do processo vivenciado pelos atingidos, enquanto os mapas e a linha do tempo organizam e sistematizam as mudanças espaciais e temporais ocorridas desde o desastre de 2015.
A combinação desses recursos busca ampliar as possibilidades de leitura do território, evidenciando tensões, silenciamentos e resistências ao longo da reparação.
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